terça-feira, 12 de novembro de 2013

O CONDUTOR (EDIÇÃO PORTUGUESA) LEIA O PRIMEIRO CAPÍTULO
VAN CURTT09:11 6 comentários






Disponibilidade / Agosto de 2013 




Chiado Editora
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NOTA DO AUTOR

O austríaco Adolf Hitler (1889-1945), fora um dos políticos mais influentes e, titulado maior ditador de toda nova era, nasceu em Braunau, Áustria: de origem humilde, transferiu-se para Viena e posteriormente para a Alemanha. Após ter participado ativamente da Primeira Guerra Mundial, fundou em 1920 o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP), do qual formulou os 25 pontos, fundindo algumas tendências do socialismo com ideias do pangermanismo, do corporativismo econômico e do mais profundo antissemitismo. Fracassara a tentativa de apossar-se do poder, em Munique (Putsch de Munique, 1923), fora preso e condenado a cinco anos, mas, permaneceu apenas oito meses no cárcere. Durante o período de detenção escreveu Minha Luta.
Constituiu uma milícia parlamentar, a SA (Guarda do Exército), e sequencialmente a SS (Guarda Especial), que logo se espalharam pela Alemanha disseminando o terror e minando as bases do próprio Estado. Em 1931, apoiado por militares e pelo grande capital H, obteve maioria relativa no Parlamento; foi chamado para o cargo de chanceler (chefe de governo) entre 1930 e 1933, e só com a morte de Hindenburg e o apoio de nacionalistas e católicos, assumiu também o de chefe de Estado (presidente). Eliminou os partidos e instaurou o regime totalitário. Expandiu a indústria bélica. Anexou a Áustria em 1938; no ano seguinte, violando o acordo de Munique sobre a questão dos Sudetos, invadiu a Tchecoslováquia e, com o consentimento da Rússia, também a Polônia, desencadeando assim a II Guerra Mundial...

Os fatos complementares nesta publicação eventualmente referidos ao ditador são, mera ficção e, não têm escopo bibliográfico, tão como as opiniões aqui exprimidas não remetem aos conceitos do autor ou faz menção partidária, constituindo assim: um ato ficcional sem uma metodologia designativa, perpetuadora ou formadora de opinião.
  
O RETRATO DA GUERRA

França – Paris, janeiro de 1943.
Com os cabelos recobertos por um manto, a mulher que caminhava ágil arrastando pela mão seu filho ainda assustado pelo bulevar de escuridão medonha e surda, demonstrava exaustão por sua respiração entrecortada e ofegante. Desviara-se de destroços de concreto e do cadáver ainda fresco de um homem trajado por um sobretudo de costura grosseira e pés descalços. Seus sapatos haviam sido levados pelos soldados da vigília, mas seus conceitos estavam explícitos nos seus olhos negros e pele corada. Tentou tapar os olhos da criança quando passava por ele, e, o garoto desvencilhou-se dizendo que se acostumaria rapidamente com aquela ocasião, ação qual a fez retardar o passo, mas não extinguir-se de ser, do mesmo modo, morta pelos soldados da divisão de infantaria alemã. Ewa sabia que nada que fizesse ou dissesse traria ao garoto o aconchego do pai morto em combate.
Quando já estava a pouco mais de duzentos metros do corpo estrangulado do homem, ela pausou, curvou-se ao garoto e tentou confortá-lo, mas por estar encapelado em seu tedioso agasalho, ele quase não obteve êxito em tentar retribuir o abraço.
— Temos de buscar abrigo mamãe — e seus lábios ressequidos e frios tocaram de forma serena a maçã do rosto alvo e pálido da jovem e inexperiente fugitiva — Até mesmo os Vermelhos devem estar à nossa procura.
— Tens onze anos Haskel e, pouco sabe o que penso, do como proverei livrar-lhe sem o apoio de seu pai e onde passaremos a noite protegidos do regime. Apenas pense em coisas boas, vou proteger-lhe com a minha vida, assim como papai fez por nós.
— Queria ser grande para poder lutar também, mas...
— A Guerra está aqui dentro Haskel, — Ewa tocou sobre os botões do pesado casaco do garoto ­— e a paz também. Vamos! Não podemos nos manter tão expostos.
— Mamãe, deixe o alcorão junto ao corpo do homem para que Alá possa ter piedade e relevar a sua predestinação ao inferno... ele tem cheiro de álcool e por ter sido morto recente, ainda pode receber piedade.
Ganidos, gritos e disparos fizeram com que Ewa recobrisse o menino com o próprio corpo e mantivesse as pálpebras fechadas por alongado período. Sentiu cacos de vidro penetrando em sua palma quando se apoiou por ela, surgindo uma dor tão intensa quanto a presunção da própria morte.
— Já estamos distantes do rapaz, e ele, já deve ter conquistado seus méritos para receber a abonação de Alá — sussurrou.
O garoto nada disse, seus olhos estavam fixos na picape Mack ED 1939 tomando o bulevar abarrotada de soldados alemães, carregada de armas e galões de gasolina. Eles eram os únicos a aventurar-se naquele anoitecer e em breve, seriam apenas os alemães, pois Ewa e Haskel logo se tornariam apenas números de guerra, uma estatística inexata dos que arrancavam os tumores da injustiça e confundiam judeus com cristãos apenas pela similaridade e coloração de suas peles.
— Opa, opa... — e a picape fora perdendo ainda mais a velocidade, enquanto cinco soldados saltavam da caçamba de forma inquisitiva. O chefe ainda mantinha o motor rolando lento enquanto os demais se aproximavam do casal, analisando a mãe roçando os cabelos do menino. — Vimos você se assustar com a nossa ronda e esconder algo sob o casaco, quando o menino lhe alertou. Qual a sua etnia?
Ewa sentiu seus membros entorpecerem enquanto o sangue parecia sumir do seu corpo, fitou de forma libertadora a criança, dizendo-o no olhar que, em segundos, não teria mais de se preocupar com o frio ou com a fome: a sua nacionalidade era polonesa e não conseguiria persuadir os alemães com seu francês inapto.
Proszę ... zmiłuj się (Por favor ... tenha piedade). — disse ela abarcando o alcorão com ambos os braços, enquanto o soldado mirava em seu crânio. — CORRA HASKEL... fuja ziguezagueando para bem longe e, que Alá te proteja.
Passou a correr de modo desvairado seguindo os conselhos da mãe, que ajoelhada, curvara-se aos pés do soldado tentando favorecer sua corrida, mas o disparo certeiro o atingiu ao centro das costas. Ainda cambaleou por um ou dois metros antes de se agarrar a um poste de iluminação e escorrer por ele, sem olhar para trás.
O atirador se voltou à Ewa e chutou com o coturno contra seu peito protegido pelo livro; o alcorão se desprendeu dos seus pulsos e resvalou pela calçada de pedras. As páginas desprendidas pelos constantes chutes rodopiavam no vento, e o fogo passou a consumi-lo rapidamente quando despejado sobre ele um galão de gasolina.
Silenciosa; Ewa permaneceu inerte tanto no instante do disparo quanto na queima do livro islâmico. O cano do fuzil Sturmgewehr 44 gelou o espaço entre as sobrancelhas, enquanto um sussurro surgia lançado entredentes, — Każdy naród ma swoją proroka, każdy naród ma swój czas. (Cada nação tem o seu profeta; cada nação tem o seu tempo) — foi com esta citação que Ewa deixou de constar entre os vivos.








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Van Curtt Van Curtt já é citado dentre os maiores nomes da alta literatura contemporânea brasileira, e se consolida a brindar com você leitor seu segundo trabalho, "O Condutor", após o aclamado suspense psicológico "Tabuleiro" (2012), que o apresentou ao mercado e arrebatou a crítica por sua apurada técnica e diálogos sólidos. É hoje munícipe de Uberlândia-Brasil, sua cidade de origem.

6 comentários:

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  2. Estou super animado pelo lançamento, espero que seja de grande genialidade como o Tabuleiro, livro ótimo... Supera até mesmo grandes autores internacionais, parabéns!

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  3. eu quero.. vo esperar aqui sentadinha com a garrafa de cafe do lado, amei o Tabeiro e o senhor não me engana, excluiu a chamada pro Xeque, eu vi! Acho que tem muito mais que o anunciado e estou ansiosa... o Marco Tulio disse pra mim, você é genialllll

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  4. caraka.... li alguns livros de guerra mais todos eram em primeira pessoa e isso perde muito a imagem

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  5. reservei o dinheiro... depois do Tabuleiro eu compro tudo que tem essa assinatura... rsrsr, confio mesmo"!!!!!!!!!!!

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  6. Martin excuses... Your comment may have been removed because it did not comply with our terms... But these are ordinarily found in fiction

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